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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

E eis que a Martha me salva a falta de inspiração...

Estou cheia de coisas que descobri que precisava fazer antes de viajar - o que é sempre normal e precede a um período de férias - então não me sobrou muito tempo pra que eu pensasse em algo sobre o que escrever. Útil ou não, nada na cabeça.

Compartilho, então, um texto interessantíssimo da Martha Medeiros (adoro!), e que não deixa de ter super a ver com algumas coisas que penso com frequência (e também no dia de hoje):

O GRITO

Não sei o que está acontecendo comigo, diz a paciente para o psiquiatra.

Ela sabe.

Não sei se gosto mesmo da minha namorada, diz um amigo para outro.

Ele sabe.

Não sei se quero continuar com a vida que tenho, pensamos em silêncio. Sabemos, sim.

Sabemos tudo o que sentimos porque algo dentro de nós grita. Tentamos abafar este grito com conversas tolas, elocubrações, esoterismo, leituras dinâmicas, namoros virtuais, mas não importa o método que iremos utilizar para procurar uma verdade que se encaixe nos nossos planos: será infrutífero. A verdade já está dentro, a verdade se impõe, fala mais alto que nós, ela grita.

Sabemos se amamos ou não alguém, mesmo que esteja escrito que é um amor que não serve, que nos rejeita, um amor que não vai resultar em nada. Costumamos desviar este amor para outro amor, um amor aceitável, fácil, sereno. Podemos dar todas as provas ao mundo de que não amamos uma pessoa e amamos outra, mas sabemos, lá dentro, quem é que está no controle.

A verdade grita. Provoca febres, salta aos olhos, desenvolve úlceras. Nosso corpo é a casa da verdade, lá de dentro vêm todas as informações que passarão por uma triagem particular: algumas verdades a gente deixa sair, outras a gente aprisiona. Mas a verdade é só uma: ninguém tem dúvida sobre si mesmo.

Podemos passar anos nos dedicando a um emprego sabendo que ele não nos trará recompensa emocional. Podemos conviver com uma pessoa mesmo sabendo que ela não merece confiança. Fazemos essas escolhas por serem as mais sensatas ou práticas, mas nem sempre elas estão de acordo com os gritos de dentro, aquelas vozes que dizem: vá por este caminho, se preferir, mas você nasceu para o caminho oposto. Até mesmo a felicidade, tão propagada, pode ser uma opção contrária ao que intimamente desejamos. Você cumpre o ritual todinho, faz tudo como o esperado, e é feliz, puxa, como é feliz. E o grito lá dentro: mas você não queria ser feliz, queria viver!

Eu não sei se teria coragem de jogar tudo para o alto.

Sabe.

Eu não sei por que sou assim.

Sabe.


É...
No fundo, lá no fundinho, nós sempre sabemos de tudo...

Beijos a todos!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Saudade...

Hoje acordei doendo muito.

De saudade...

Talvez tenha sido TPM das bravas, mas acho que era só saudade, mesmo.

Nunca vi coisa pra tocar lá no fundo, a tal da saudade!

Saudades quase sempre machucam e nos levam às lágrimas.

Lembranças é que são boas.
E percebi tudo isso hoje!

Lembro-me com carinho das brincadeiras bobinhas de infância, dos churrascos de domingo, do tempo do colégio, das aulas e ensaios intermináveis e sofridos de ballet...Lembro-me dos meus antigos amores - muitos deles bem platônicos -, das festas da faculdade, do cheiro eterno de protetor solar no mês de janeiro...Lembro-me do meu pai me buscando no colégio, de esperar pelo almoço fantástico da minha mãe, do cheiro de mato das trilhas que fazíamos na férias, de escrever diários e ler revistas de adolescente...Lembro-me das ceias de Natal e de esperar ansiosa pelos presentes que eu já sabia que não eram de Noel, de comprar material escolar pro novo ano letivo, de encapar meus cadernos e costurar minhas sapatilhas...Lembro-me das festinhas americanas com refri e coxinha, de quando comprei meu primeiro sutiã, de quando pintei meu cabelo pela primeira vez, das sessões de cinema em grupo de 15 ou 20, no mínimo...Lembro-me de ir pra praia em ônibus lotado, das festas juninas lá em casa com fogueira de 3 metros, de todos os meus aniversários, de todos os meus amigos - alguns que nem fazem mais parte da minha vida...

Muito bom! Lembrar de cada imagem, de cada pessoa, de cada cheiro, de cada gosto...tudo isso remete a uma tarde chuvosa de domingo, ou qualquer coisa parecida, e faz um bem pra alma que só vendo!

O ruim é quando bate a saudade...Porque saudade é sentir falta do que foi e nunca mais vai voltar. E essa sensação realmente dói.

Então saudade é lembrança?

Olha...lembranças (as minhas, pelo menos) acabam arrancando um sorrisinho gostoso nos lábios.

O que imagino ser a diferença número 1.

Lembrança é a recordação de alguma coisa que, de fato, não vai mais voltar, mas por um motivo óbvio e bastante natural - simplesmente as pessoas envelhecem e o colégio passa, os namoricos passam, várias coisas passam.

Saudade é de alguma coisa que nos foi tirada. Ou roubada. Ou perdida. Ou todas essas coisas juntas.

Hoje senti saudade das pessoas que eu perdi, dos amigos que sumiram e de quem nunca mais tive notícia, das pessoas queridas que se foram...Senti uma saudade imensa da ingenuidade que eu tinha quando era criança e passei a tarde inteira me lamentando por crescer e ver o mundo de forma mais cruel...Senti saudade dos abraços que nunca mais ganhei, dos beijinhos carinhosos na testa que nunca mais beijei, dos amores que eu nunca mais pude amar...

E chorei muito.

Como em pouquíssimas outras vezes...

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Um pouco de Clarice

"Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade...
Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto (...) das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
(...)
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR! "
(Clarice Lispector)
Texto lindo!
Se eu tivesse que escrever alguma coisa por hoje, teria sido Clarice por pelo menos uma noite.
Não, não peço desculpas! Nem por não ter tido imaginação maior. Menos ainda por não admitir que talvez tenha sido falta de alguma outra criação decente do meu cérebro. Ou de, pelo menos, qualquer criação do meu cérebro.
Mas com minhas próprias palavras, pelo menos agora, talvez não pudesse me descrever melhor .
Isso é muito EU.
E, ao mesmo tempo, é muito TODO MUNDO...
O "nós" e as "nossas contradições".
O "nós" e o que nos é "extremamente peculiar".
(Ou "extremamente comum", vai saber...)
Por hoje, então, é só isso.
E isso, no momento, É SIMPLESMENTE TUDO...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Não faça hoje...

Precisei passar por uma crise de arrancar os cabelos pra me lembrar de um ditado "psicológico pós-modernista" que resolvi adotar pra minha vida, de uns anos pra cá.
Foi um dia de telefone tocando sem parar, coisas pra resolver, meia dúzia pra deixar pronto, um outro tanto pra decidir, e dúvida do que fazer primeiro, do que seria melhor e como, e gente cobrando, e eu me cobrando mais ainda, até crise de identidade e o escambau...Muita coisa pra fazer pra ontem, ou nem tanta coisa assim, mas o cérebro funcionando pra deixar tudo agilizado o quanto antes. Como se o mundo fosse acabar a qualquer instante e eu tivesse que finalizar boa parte do que comecei antes disso (e olha que é bastante!). A tal da ansiedade que ainda vai matar metade da população do mundo de problema cardíaco.

E não adianta: não é nem uma coisa que é só minha, mas quase todo mundo que eu conheço quer ver as coisas prontas, e acabadas e findas, o mais rápido possível, só pra ver no que vai dar. Ou se vai dar em alguma coisa. No mínimo. Ninguém tem mais paciência pra esperar nada, pra deixar o curso das coisas correr naturalmente. E se não existe uma auto-cobrança, existe a cobrança do meio, do cosmos, do ambiente de trabalho, de família, de amigos, de tudo. Sempre alguém espera por alguma coisa, ou por alguma atitude de alguém. O mundo tá assim, vê só!

Hoje em dia já se nasce ansioso, com planos fixos e pré-determinados, com as coisas tendo que se encaixar perfeitamente e no tempo certo, com projeções imbecis de um "amanhã perfeito" que às vezes nem vem, ou que vem repleto de desajustes.

Antes de tudo acontecer, já tem o maldito "será". "Será que vai dar certo?", "será que eu vou conseguir essa vaga?", "será que meu trabalho vai ser recomendado?", "será que vão me ligar amanhã?", "será que vou ver essa pessoa novamente?", "será que encontrei finalmente minha alma gêmea?", "será que tá bom?"..."será, será, será..????"...Uma inquietação sem tamanho.

E agora eu pergunto: pra quê? De que dianta correr atrás de um monte de coisa que vai acontecer ou não, de qualquer forma, independentemente da nossa vontade?

"Não, mas se eu não acabar isso hoje...", acaba outro dia, né?

"Mas se eu não fizer isso agora, vou perder meu emprego"...arruma outro, oras!

"Se eu não der um jeito de aparecer, de ligar, ou mandar mensagem, ele(ela), nem vai se lembrar que eu existo!"...ENTÃO ARRUMA OUTRA PESSOA, que tá cheio de gente disponível por aí, e querendo corresponder a chamados e atenções!!!!!!

O que não dá é pra perder o sono e a fome com pessoas que apressam, com situações que apressam, com a nossa própria cabeça que quer ver as coisas prontas o quanto antes.
A troco de nada!
Porque uma hora todas as coisas se resolvem, e chegam num fim, quer queiramos ou não.
E mesmo se as coisas atrasam, ou não acontecem, dá sempre pra partir pra um plano B. SEMPRE!

Assim, super óbvio, que "as coisas acontecem no tempo certo", que "tudo vai dar certo", e que "o que tiver que acontecer vai acontecer", mas eu já tava xingando meio mundo só pra resolver uma coisa insignificante pra anteontem (e todo mundo faz a mesma coisa!). E sem ganhar um real a mais por acabar antes do tempo, ou por conseguir resolver da melhor forma possível.

Então, antes que eu me acabasse em ansiedade, preocupação, inquietação e outras quinhentas sensações desconfortáveis (aumentadas em grau por uma tpm irritante), resolvi me lembrar da tal frase que tem me feito uma pessoa mais sossegada:

"Não faça hoje o que você pode deixar pra amanhã"!

Até porque "amanhã" sempre se dá um jeito...Se é que ele vem mesmo (sim, sim! Esperamos todos que sim!!)!!
Martelei essa frase na minha cabeça e sabe o que eu fiz num fim de tarde cheio de coisa pra fazer??? Coloquei meu celular no silencioso, disse pra meio mundo que eu não estava e fui no cinema ver um filme...

Tudo bem! O filme até não recomendo, não.
Mas depois dormi bem e tranquila, que foi uma maravilha! E já posso postergar meu tratamento anti-rugas em mais alguns anos...
Nada de rugas e cabelos brancos por hoje!!! Por favor!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Faxina necessária!

Aproveitando a ocasião - de mudança de tempo, de mudança de hábito e de mudança de várias coisas, separei uma tarde dessa semana pra fazer uma faxina em todas as minhas tranqueiras.
E percebi que há muito mais de terapêutico numa boa (re)organização do que se imagina!
Entre velhos recibos, papéis inúteis, roupas desgastadas e objetos que nem funcionam mais, pude vasculhar boa parte do meu passado, matar a saudade de várias coisas e jogar muito do que não é e nem foi bom pro lixo, literalmente.


Sou daquelas pessoas que projeta demais o amanhã, mas que não deixa de esquecer nada do que se passou ontem. Guardo todos os trecos do mundo nas minhas gavetas. Sinceramente falando, minhas coisas são parte da minha personalidade, de forma que há muito mais de mim nas minhas caixas e armários, do que eu mesma poderia contar com palavras. Desde fotos antigas (com cabelos medonhos e roupas hilárias – como que alguém me deixava sair de casa naquele estado?!), a cartinhas (e-mails, também peguei a fase da modernidade!) de ex-amores, pequenos souvenirs, fotos de família e cartões de fim de ano dos amigos mais chegados.
Muita coisa que até Deus duvida, eu achei! O diário velho de 95 (onde eu li que o Carnaval daquele ano foi uma porcaria!), o álbum de viagem de férias (com meu rosto super rechonchudo!!! E definitivamente não sinto falta do nariz e do cabelo que eu tinha uns aninhos atrás!!!), o kit que eu usava pra costurar minhas sapatilhas de ballet...Ah, minha coleção de chaveiros (qual a utilidade de uma COLEÇÃO DE CHAVEIROS????? Diz pra mim...)...
Deu pra rir!
E também pra me acabar em lágrimas...
Lembranças de viagens que se acabaram, de pessoas que se foram, de fases que passaram, de relacionamentos que nem me lembrava mais...tudo que não existe mais, só que serviu (e muito!) pra tudo o que eu sou e sinto hoje...
Encaixotar minhas coisas e reorganizá-las teve o lado bom, não só porque eliminei ácaros da minha vida alérgica, ou porque fiz uma ótima ação separando roupas e sapatos pra doação. Nem pelo fato de eu ter colaborado com planeta, separando o lixo reciclável. Mas porque limpou várias coisas em mim, me fez reviver alguns ótimos episódios e descobrir que o passado é saudável, sim.
Dessa vez minha faxina foi por obrigação e necessidade do momento.
Mas tô pensando seriamente em torná-la um hábito e uma psicoterapia, pelo menos de 3 em 3, ou de 4 em 4 meses (até aconselho a prática, também!).

Porque sempre na vida se tem alguma coisa pra reaproveitar, e outro tanto pra se jogar fora...

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Decepção nossa de cada dia...

Desconheço alguém que tenha tido qualquer tipo de relacionamento (e falo em relacionamento num sentido bem mais amplo) sem ter passado por pelo menos uma decepção das grandes.
As pessoas erram. As pessoas fraquejam. As pessoas magoam. E decepcionam.

É o chefe que foi grosso numa hora que não precisava, é a mãe que falou o que poderia ter evitado falar, é a melhor amiga que traiu a confiança, é o filho que desapontou numa atitude mal planejada, é o "grande amor da sua vida" que confessou que o amor nem era tão grande assim...

E, desta forma, todos - ou quase todos! - que passam por nós acabam deixando, em determinado momento, uma impressão amarga, um ressentimento sem tamanho...que às vezes passa, mas que quase sempre dói demais.
Dá uma vontade de chorar que ninguém parece ser bom o suficiente pra servir de consolo, uma pontada no peito, um vazio...E fica aquela frase que lateja na cabeça: "Por essa eu não esperava!"...

Mas se todo mundo decepciona todo mundo, se todo mundo se frustra com todo mundo, se isso é muito mais do que comum, e ninguém morre sem ter passado por pelo menos uma desilusão, por que é tão difícil aceitar esse sentimento?
Por que é que machuca tanto "reconhecer" (não sei se é bem essa a palavra certa) que nós mesmos nos iludimos com expectativas demais, com o que esperávamos que o outro fosse fazer ou falar pra nós?

Bom...

Para a Psicologia (maldita Psicologia! Nessas horas ela não ajuda em nada!), é doloroso passar por uma dessas "surpresas desagradáveis", é complicado superar essa mágoa, justamente porque ela revela um de nossos problemas mais corriqueiros (e ninguém gosta de revelar problemas!) : a crença de que tudo tem que ser do exato jeito que gostaríamos que fosse (até aí, tudo bem, né "Flipper Freud"! - se saísse da nossa maneira e não tivesse o elemento "estraga-prazares", não doeria em nada! Isso é óbvio!!! E não explica muita coisa...).
Uma decepção cria marcas profundas e deixa cicatrizes horrendas porque ela nos fragiliza. Porque rompe com um conceito criado pela nossa mente, que achávamos que era o mais correto, o modelo a ser seguido.
Nem sempre o "problema" da desilusão está em quem nos causou essa dor toda - quase sempre está no rótulo e nos valores que nós mesmos atribuímos a alguém ou a alguma situação.
Fomos nós quem construímos uma circunstância perfeita, com início, meio e fim, e depositamos confiança demais no que deveria ser o resultado ideal.
Um bom psicólogo diria que o tal do "problema" não é o meio ou a pessoa que nos feriu profundamente; o problema está dentro de nós, porque esperamos demais, porque não soubemos "ler os sinais" corretamente, porque pintamos o mundo com tinta colorida, quando na verdade ele já veio impresso em preto-e-branco, e com edição limitada!!!!
Nós quem pisamos na bola!
O outro (no caso de decepções com pessoas, e principalmente as amorosas) fez o que lhe cabia fazer - ele sempre foi o que manifestou no momento que desencadeou a mágoa...nós que nunca quisemos enxergar isso (tá...com essa aí até dá pra concordar! A pessoa sempre foi assim e nós que não percebemos, porque desenhamos a pessoa de outra forma...Até porque ninguém vira bonzinho ou mauzinho de uma hora pra outra...Tem um certo nexo!)!!!! E ele, muitas vezes, nem tem a ciência de que nos machucou tanto assim...tá achando tudo mais do que normal, nós que somos os exagerados e reclamamos de barriga cheia!

Jamais!!!!!!

A Psicologia que me desculpe, mas essa teoria sado-masoquista aí, do "eu que estou errado e devo pagar por isso", comigo não cola!
O tio Freud que me perdoe o trocadilho chulo, mas dizer que "o outro" fez o que tinha que fazer e nós quem somos os doidos, é UMA FRAUDE!!!!

Tudo bem...
A expectativa existiu. É claro!
E ela não foi atendida. É CLARO TAMBÉM!!!!


Mas como não esperar nada, sabe??
Relacionamentos são exatamente assim: alguém conta com determinada atitude de alguém porque confia nela, porque deposita fé nas coisas que ela faz, porque tem uma certa afinidade, ou habitualidade no contato, que a faz ter certeza das coisas que ela faria e também das coisas que não faria de jeito nenhum!
Interagir com alguém pressupõe esse mínimo de conhecimento do outro!
Por isso que as pessoas trabalham juntas, enriquecem juntas, amam juntas, divertem-se juntas: porque existe entre elas, NO MÍNIMO (deveria existir, pelo menos!), um pacto implícito de lealdade, de estima, de afeição.

Não dá pra aceitar que decepções são normais e engrandecedoras, que fazem parte da vida e nós fomos os equivocados, porque esperamos o que não poderíamos receber. Não dá pra ouvir qualquer coisa de uma pessoa, e palavras mal pensadas, e lidar com atitudes inconsequentes, só que ainda assim achar normal, porque "o ser humano é assim, mesmo". Não dá pra receber um pedido de desculpas banal e tudo ficar por isso...

E a consideração, onde fica? E o respeito? E o fato de se colocar no lugar do outro????
É sempre bom e de muito bom grado pensar antes de fazer, de falar. De DECEPCIONAR!!!

Olha...

Pode até ser que eu faça parte da corrente "Esperamos um mundo melhor! Esperamos tudo! Esperamos sempre!" e que me sobre mesmo ingenuidade e confiança nas pessoas.
Talvez eu, e todas as pessoas que já esperaram alguma coisa de alguém e que já se desapontaram imensamente ( e talvez, repetidamente!), estejamos mesmo de cara fechada pra vida real. E precisamos, definitivamente, esperar menos, ou nada, das coisas e pessoas.

É...
Posso estar falando besteira!

Quem sabe, eu precise aplicar a mim e tomar para a minha vida frases como: "Muito melhor se surpreender do que se decepcionar", "A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional", "No dia em que você precisar de uma 'mãozinha'...no final do seu braço tem uma!!!!"...e "blá, blá, blá"...

Aham...
É RUIM, HEIN!!