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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Quase um "adeus ano velho"

E hoje, depois de quase 4 semanas de negação, realmente absorvi a idéia de que 2010 está chegando ao fim. Já estava assustada com as decorações natalinas e vendas de panetone há dias, minha família programando quem vai fazer o que na ceia, sondagens pra amigo secreto - achei tudo muito precipitado demais, na minha ingênua relutância. Mas agora é fato: faltam exatos 45 dias pra que acabe o ano, e eu não tenho como dizer que isso é mentira...
Não que eu me ligue em datas, espacial e temporalmente falando, porque, no fim das contas, são apenas dias corridos. Se formos pensar mais profundamente, muito pouco vai mudar...dezembro, janeiro, tudo igual! E quase todo mundo vai acabar fazendo as mesmas coisas.
Mas agora, nesta exata altura do campeonato, datas à parte, entra o psicológico e emocional: é quando eu sempre olho pra trás e faço um balanço do meu ano. Pra pensar nas coisas que aconteceram, em planos que cumpri, metas que estabeleci. De fatos bons, do que deixei de realizar, de onde me faltou a sorte...Tirar proveito de alguns fatos, e tentar correr atrás do prejuízo, torcendo pra que ainda dê tempo...

Para mim, não foi um ano daqueles (embora, admita, sou exigente demais pra afirmar que tive "qualquer coisa" digna de um bom suspiro de satisfação...).
Comecei a mil, depois tropecei, caí, afundei...estagnei, voltei a 500, corri uma maratona, e agora creio ter alcançado uma excelente quilometragem. Ou melhor que a esperada.
Também não conversei com uma só pessoa que tenha falado que 2010 tenha sido bombástico, o que me consola.
No fundo, passou tão rápido, que nem deu pra fazer uma análise mais detalhada.
Nem deu pra sentir.

Acredito que essa "insatisfação" com esse ano tenha sido geral, porque também não conheço uma alma que não tenha esperado tudo e mais um pouco de 2010. E é aquele mesmo problema de sempre: expectativas exacerbadas, frustrações exacerbadas.
Não tem como!

POR OUTRO LADO, antes que alguém pense que este é um post de lamúrias e reclamações, por mais que eu, particularmente falando, tenha tido uma série de tropeços, foi o primeiro ano em que consegui estabelecer e cumprir alguns planos que criei em prol da minha sanidade mental.
(E ponto pra 2010!)
Sabe aquelas coisas que juramos iniciar no dia 1 de janeiro (aula disso, aula daquilo, estudar mais, fazer uma dieta, investir meu dinheiro sei lá onde...), desejos antigos, velhos novos projetos, e que não conseguimos executar nos 364 dias seguintes???
Então...

Pois este foi o primeiro ano da minha vida em que consegui realizar 100% das coisas que anotei como "metas do ano novo" no meu caderninho em dezembro do ano passado.
Fora as situações extraordinárias que entraram na minha vida nos últimos meses, que fizeram com que tudo acabasse valendo a pena, no fim das contas.

Mas, como boa reclamona, parei pra analisar com frieza, e vi que falta ainda muita coisa.
Queria voltar a estudar idiomas, até voltei...mas não obtive o nível que queria; planejei dar mais aulas, e dei...mas não com tanta frequência como queria; sonhei conhecer mais pessoas e mais lugares, e conheci...mas não com a intensidade que queria; quis me organizar pra economizar mais dinheiro, e até economizei...mas não o montante que queria...
Por essas e outras que finalizo com um 7,5 pra este ano, se considerarmos que a média é 7.

O que fazer agora?
Além de chorar minhas pitangas, pensar em onde e quando eu devo começar pra correr atrás dos 2,5 pontos restantes. Pra isso, eu tenho (nós temos!) apenas pouco mais que 7 semanas...
Mas nada de impossível, ainda que pareça.
Então, olhando pro meu ano como como uma observadora de fora, prometo pra mim mesma: eu vou correr atrás dos meus pontinhos saltitantes!
A velha e boa história: meu copo está com água pela metade, e sou eu quem decide se ele está meio CHEIO ou meio VAZIO...

Pois pra mim, está decidido: copo em fase de preenchimento, AINDA.
E mais 45 dias pra eu me esbaldar e me encher de tudo.
Literalmente...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Saudade daquela época!

Sempre morria de indignação quando, no meio de qualquer conversa banal, minha avó, mãe ou alguma outra pessoa um pouco mais velha do que eu vinha com o papo de que "no meu tempo era bem melhor", e "porque na minha época não era assim ruim como hoje", ou "ah, não! Isso aí hoje não tem a menor graça. Bom era na minha juventude, e só se vocês tivessem vivido o que a minha geração viveu pra saber exatamente do que eu tô falando"...

Sempre o mesmo papo (e vai dizer: quem é que nunca ouviu a mãe falar uma frase do tipo?) !
Achava o cúmulo do saudosismo barato.
Na verdade, ficava bem irritada - que mania que esse povo tem até hoje de, insistentemente, achar que nós, juventude de hoje, vivemos um verdadeiro inferno e que eles, os sabichões do pedaço, que curtiram o supra-sumo do Planeta Terra!!
Só as coisas deles que eram boas!
É feio ficar desmerecendo a "geração alheia"!




Eis que essa semana andei queimando minha língua.

Tava observando umas crianças brincarem na rua - uma turminha de idade entre 6 e 9 anos - e comecei a filosofar sobre a vida deles hoje, em relação a minha vida, quando tinha essa mesma idade.
Cada brincadeira sem graça, com uns jogos modernosos e nada educativos, infantis menos ainda, e percebi que, SIM! , no meu tempo era bem melhor! Sem comparação. A começar pelo fato de que, NO MEU TEMPO, criança aproveitava bem mais a infância, porque era bem mais criança. Todo mundo podia brincar de pique, pega-pega, alerta, polícia e ladrão, ou qualquer outra coisa do gênero no meio da rua, até porque não era tão perigoso criança correr no meio da rua. Criança também era mais inocente, não se portava como adulto e nem se metia a tratar de assunto de adulto. Criança não tinha tanta malícia e nem sabia todas as coisas sobre sexo que só os adultos podiam saber. Ser criança era bem mais divertido!

NO MEU TEMPO a Xuxa ainda era a Rainha dos Baixinhos, todo mundo ganhava Fofão e uma Caloi no Natal, e todo mundo jogava Atari (que depois acabou evoluindo pro Mega Drive que por sua vez evoluiu pro Super Nintendo e todos os joguinhos do Super Mario e Street Fighter). Bem mais massa! As crianças brincavam de pogobol e pelo menos gastavam mais calorias; não ficavam nessa "engordação" de McDonalds a torto e a direito!
NO MEU TEMPO não se ouvia falar desse tanto de velho gagá que quer pegar criancinhas - pedofilia não era uma "prática" comum e corriqueira.
NO MEU TEMPO dava pra andar mais tranquilamente a noite, e ninguém falava de sequestro relâmpago, assaltos, assassinatos, ou "tranca a porta porque é perigoso". O mundo não era assim tão violento! E nem se via tanta gente assim nas calçadas fumando maconha, crack, dormindo na rua...
E favelas? Meu Deus, como proliferaram! Não tinha tantas assim no meu tempo, não!
NO MEU TEMPO o dinheiro parece que rendia bem mais. Comprava-se pão por bem menos do que hoje, e arroz, e feijão, e gasolina, e passe de ônibus...e ainda sobrava troco pra comprar figurinhas pra completar o álbum ou, no mínimo, um saco bem cheio de bala (já tentou comprar 50 centavos de bala hoje em dia? Não dá meia dúzia!!!)!!
NO MEU TEMPO as praias era beeeeeeem mais limpas. E as ruas, e avenidas, e lagoas, e praças. Aliás, no meu tempo, parece que tinha bem mais verde no mundo. Ninguém falava em desmatamento, poluição visual, sonora, menos ainda em aquecimento global, el niños, tsunamis, furacões e desastres climáticos.
NO MEU TEMPO minha mãe não ficava falando pra eu tomar banho rápido pra cooperar com a escassez de água na Terra. Muito pelo contrário: os jatos de mangueira no verão eram liberados, e a alegria de todo mundo era encher uma piscininha de 5 mil litros quando fazia um calor de rachar!
NO MEU TEMPO tinha mais verão. E mais inverno. E mais outono e primavera, também.
NO MEU TEMPO o tempo não passava assim tão rápido, o ano durava bem mais, e nem tinha tanta gente no auge do stress, sofrendo de depressão, síndrome do pânico, bipolaridade. Aliás, o que era depressão, pânico, transtorno bipolar????
NO MEU TEMPO não tinha essa taxa absurda de desemprego. Pelo que eu me lembro, o pai de todo mundo trabalhava bastante. A mãe de todo mundo trabalhava bastante, também.
NO MEU TEMPO, também, não morria tanta gente! Dizem as estatísticas que o brasileiro hoje vive bem mais, tá passando dos 80, mas cadê essa vida toda? Quando eu era criança não me lembro de ter ido a muitos velórios e funerais - posso contar nos dedos de uma única mão! Hoje em dia tá todo mundo morrendo de graça, de tanto beber, de tanta imprudência, de tanta ignorância, de tanta falta de tolerância...E é velho é, jovem, é todo mundo!
NO MEU TEMPO não tinha essa pouca vergonha toda! Ok, ok, ok! Desde que o mundo é mundo sempre teve a turminha do "sexo, drogas e rock n´roll" (mudando o gênero da música conforme a época, claro...mas sempre teve!). Só que não era tudo escancarado na televisão, nas revistas, nos jornais, na boca de todo mundo...não tinha essa libertinagem, essa transgressão de valores, essa falta de moral...
NO MEU TEMPO as novelas eram melhores. E as revistas, também. Os jornais informavam de verdade. Programas de televisão prestavam e entretinham, em sua maioria. Lia-se bem mais, também, com certeza. E, SEGURAMENTE, não tinha tanta gente burra assim no mundo.
NO MEU TEMPO escândalos políticos eram fatos históricos, e não diários. Ah, e eles ESCANDALIZAVAM, daí o termo!
NO MEU TEMPO não tinha tanto engarrafamento, nem se demorava tanto tempo pra ir de um lugar a outro 5 km adiante. Também não me lembro de ver tanta gente estressada no volante (talvez por isso!).
NO MEU TEMPO as pessoas se respeitavam mais. Ou fingiam isso bem melhor. E os relacionamentos eram mais sinceros, acredito que até mais lúdicos e românticos (éeee, Vó...não se faz mas homem como antigamente!!!...) ...
NO MEU TEMPO, quando os direitos não eram tão iguais assim, ou quando ninguém achava que tinha muito mais direitos que obrigações, não se via todo mundo querendo passar a perna em todo mundo, como se vê hoje!
NO MEU TEMPO tinha sundae, banana split, vaca preta. Também tinha lanche da escola com Mirinda ou Minuano (que davam um banho nessas H20 destemperadas de hoje em dia!). E Chaves, Chacrinha, Caverna do Dragão, Armação Ilimitada, Serginho Malandro e Vovó Mafalda. Muito mais divertido! Tinha filme dos Trapalhões disputadíssimo nos cinemas sempre que dava dezembro. E os especiais de Natal do tio Roberto eram bem melhores. As músicas eram melhores. Os filmes eram melhores! As roupas tinham mais identidade, e as pessoas, mais personalidade. O mundo também era mais mundo. Ou, pelo menos, mais humano...


É...só posso crer que estamos nos encaminhando pro fim dos tempos! Porque só pode esse ser o fim dos tempos! Nada muito pior que isto!
E eu...pensando bem...hoje em dia, TAMBÉM sinto, realmente, muita saudade do meu tempo...!